sábado, 15 de fevereiro de 2014

O DEPOIMENTO

 Desculpe-me o senhor que é autoridade, mas que mulher gostosa é essa? E ainda tem gente que me pergunta por que eu me meti com ela, só porque é casada não é motivo para que de vez em quando ocorram uns amasso entre cliente e funcionário, eu sei que ela gosta do meu serviço, da maneira em que eu mexo o cano e ajeito firme para que não ocorra nenhum vazamento, é que eu sou encanador sabe sua autoridade, e quando tem um pedido da dona Camila eu me boto na frente e peço para o patrão me dá esse serviço, apesar de que de vez em quando ela mesma me escolhe, e faço direitinho, na verdade eu sempre deixo alguma coisa mal feita para que ela sempre possa me chamar, mas já teve vezes em que ela mesma mexeu em um encanamento ou outra para arrumar desculpa para um chamego comigo.
Mas falando daquela tarde, quase cinco em ponto, ela ligou para a empresa onde eu trabalho e exigiu meu serviço, o padrão me chamou e me disse que era o último daquele dia, e que depois eu poderia ir para casa, então dava para ficar até altas horas chifrando o seu Márcio, já que o coitado do corno sempre passa as noites de sexta-feira na emprese ajeitando uma papelada ou outra.
Eu sabia que seu Marcio é um homem importante, um advogado dono de uma empresa de advocacia que faz sucesso no mercado, a Veloso Advogados, casou com Camila quando ela tinha apenas 21 anos de idade, mas depois de 10 anos de casamento parece que o velho não aguenta mais segurar todo aquele avião que guarda em casa, por isso afirmo dizer que ele tem uma parcela de culpa.
Então eu fui, ajeitei a maleta de ferramentas, levando sempre à ferramenta extra, coloquei no carro da empresa e dirigi até a casa da senhora. Só de pensar em navegar naquele corpo formoso e alisar aquelas curvas perigosa, a ferramenta extra já começou a se preparar pra ação, mas para não colocar o carro na frente dos bois, eu sempre a guardo e espero o momento exato para usa - lá.
A casa dela não era longe, logo cheguei, sai do carro, peguei a maleta e avisei ao porteiro que recebeu ordens para me permitir entrar. Assim que entrei na residência, a dona que estava com um vestido justo bem decotado e que deixava às belas coxas a vista me mostrou onde estava o defeito do encanamento, era na pia da cozinha, perguntei se tinha gente na casa, ela disse que não, que os filhos estavam com a avó, que só nós dois estávamos ali, naquele casarão.
Então comecei a mexer em uma coisa ou outra no encanamento, que por sinal é muito mal feito, e sem querer, mentira, foi querendo mesmo que eu deixei jorrar água para cima de mim, eu tinha que encontrar um pretexto para deixar meu tanquinho à mostra, pois a ferramenta extra estava me deixando louco. Ela levou um susto com tanta água que saio do cano, mas logo começou a me enxugar com uma toalha que estava por perto, de início foi o rosto, mas logo depois foi o resto do corpo.
Eu inventei uma desculpa sobre o acidente com o cano, eu disse que havia me esquecido de fechar o registro, ela me respondeu:
- Sem problemas.
Comecei então a baixar o macacão que eu estava usando até a cintura, era para apressar logo as coisas, eu estava doido para ir pra cama e navegar naquele mar prazeroso que o marido, pensava eu naquele tempo, não dava conta. Ela começou a enxugar meu peitoral musculoso e mim levou para o seu quarto. Eu perguntei do encanamento, ela me respondeu que o segurança resolvia
Afirmo sim dizer que faz mais de dois anos que chiframos seu Márcio, ela me conhecia muito bem, sabia que eu gostava de mulheres casadas e seu marido não estava conseguindo pilotar o avião como ela dizia, então decidiu ir atrás de outro piloto, e por sorte me achou.
Eu ansioso entrei no quarto dela, abaixei o macacão por completo e deixei à ferramenta a mostra, pronta para entrar em ação, até que vi o quadro de seu Márcio na parede em frente à cama, era uma pintura dele de rosto com uma expressão séria, isso meio que me deu um aperto no coração e a ferramenta decidiu emperra, ela olhou pra mim, depois de foca o acontecido, me perguntou o que houve, eu respondi que era o quadro, ele meio que assustava, ela me chamou de mole e tirou todo o vestido mostrando as curvas que fez a ferramenta voltar à tona.
Daí então, dona Camila deitou na cama, eu pulei em cima dela entrelaçando minha coxa na sua, beijei teu pescoço, fiz massagem em teu corpo e quando decidi encaixar o cano no ralo, eis que o quadro do seu Márcio fitou o seu olhar no meu, fazendo a ferramenta emperrar novamente, ou na forma mais culta, eu brochei pela segunda vez na mesma relação.
- Nunca aconteceu isso comigo – eu disse a ela..
E para minha defesa nunca tinha acontecido mesmo, aquela foi a primeira e última vez que aconteceu algo assim comigo, eu sou uma cara de compromisso, aguento todas que vim para os meus braços, o problema foi aquele quadro que olhava pra mim me dando uma pena do coitado que estava trabalhando até tarde para alimentando a mulher e os filhos, dando tudo de bom e do melhor, e a ingrata da esposa ficava chifrando o homem de família e de responsabilidade com o encanador, que sem querer me achar, é um gostosão.
Camila que não era de desistir fácil insistiu novamente, mais quem disse que o filho do papai aqui queria subir, queria nada, me abandonou geral, pois o bicho quando quer funcionar faz maravilhas, mas quando brocha, me dá um desaponto que me deixa sem ação.
Eu então entrei no desespero, não porque tinha brochado diante daquele mulherão todo, mais sim por causa do retrato do seu Marcio, é que me deu uma pena tão grande que me fez chorar ali no meio da cama, eram lagrimas de arrependimento, toda sexta feira eu ou ela arrumávamos um pretexto para uma rala e rola geral na cama do advogado enquanto ele na empresa até altas horas, suando para dá, joias, viagens e outros mimos luxuosos para a mulher sem vergonha.
Ela então me vendo molhar seu travesseiro com meu choro sem nada a entender, perguntou se eu tinha virado boiola, eu disse que não, que era culpa do quadro que o marido dela havia colocado ali.
Desculpe a maneira de como estou contando todo o ocorrido, mas é que acredito que fica mais claro de entender todo o acontecido daquela tarde quase noite se eu contasse dessa maneira, meio que com desrespeito ao senhor meritíssimo, por isso perdão pela minha ignorância em relação ao uso correto das palavras.
Mas continuando, ela vestiu o vestido e me mandou ir embora, nem me pagou o serviço, me chutou pra fora de sua casa sem nem eu mesmo me vestir direito, sai chorando de pena de seu Marcio, descamisado, somente com o macacão até a cintura.
Eu não sabia que aquele retrato era um disfarce para esconder uma câmara filmadora pra pegar dona Camila em fragrante, nem mesmo que seu Marcio desconfiava da traição, eu também fui pego de surpresa, eu juro seu juiz, me arrependo completamente em ajudar à dona Camila à por um par de chifres em sua cabeça, por isso lhe peço perdão seu Marcio.
          Finalizando então, entrei no carro e sai para casa, uns dias depois eu recebo uma intimação pra depor contra ela e a favor de Marcio para a separação dos dois, eu fiz questão de aceitar, ela não merece nenhum centavo da herança do advogado, espero que o senhor tenha me entendido meritíssimo.

   (01 de julho de 2012 – Aracaju/SE)

Nenhum comentário:

Postar um comentário